FILOSOFIA DA LOUCURA
(A5,148 PÁGINAS)
PREFÁCIO
I
Quando se fala do homem em termos da formação estrutural da sua personalidade clínica ou psicopatológica (psicose,
neurose e perversão), dados os relevantes e recentes estudos da antropologia,
em especial a filosófica, descobre-se que:
1-
Qualquer
cultura, em síntese, é apenas uma das muitas ou diferentes lentes através da
qual determinado indivíduo vê e se relaciona com o mundo;
2-
As
diferentes culturas são apenas diferentes opiniões, símbolos ou visões de
mundo, corporificadas em modos diferentes de ser, de ver, de sentir, de dizer,
de pensar e de existir;
3-
As
diferentes culturas trazem em si as suas mais radicais, absurdas ou ditas inconcebíveis
ideias de verdade ou normalidade quando comparadas e/ou confrontadas umas às
outras.
II
A tentativa de uma globalização cultural, ou padronização de normas,
valores e costumes, aos moldes da econômica, fracassou ou não tem tido o mesmo
êxito. Ou seja, vemos um mundo hoje de regresso a nacionalismos e a formas
xenófobas de existir e lidar com os diferentes e/ou as diferenças.
Nesse sentido, frise-se:
“A questão
entre “psicopatologia versus normalidade” hoje não é e/ou não tem sido apenas
de grau, como pensaram Freud e Lacan, mas também cultural, ética e/ou de
valores.”
Ou seja, indivíduos pertencentes a uma determinada cultura ou grupo,
dado o caráter etnocêntrico e xenófobo das culturas, podem considerar loucos ou
psicopatológicos os de outros se comparados a si.
Pense-se, por exemplo, nas guerras fundamentadas em diferentes concepções
político-econômicas, morais ou religiosas; nos diferentes tipos de apartheids;
nas diferentes formas de xenofobia; nos diferentes modos de desrespeito às
diferenças; nas diferentes formas de se perceber ou encarar a vida de
indivíduos que vivem em nichos culturais e socioeconômicos diferentes; nas
formas machistas de muitos homens, no mundo, tratarem as mulheres; nas
diferentes formas, muitas vezes deturpadas, de muitos homens praticarem o que
chamam de guerra-santa, etc.
Hoje, alvorecer do século XXI, pode-se dizer que o que (na maioria das
vezes) tem acarretado desestrutura nas personalidades ou psicopatologias, muito
além dos fatores ditos genéticos ou orgânicos, são aqueles oriundos:
1-
De choques
culturais;
2-
De extremas
desigualdades socioeconômicas;
3-
De competições
e/ou comparações hierarquizadas entre indivíduos diferentes;
4-
De
ideologias que pregam a meritocracia e o individualismo;
5-
De
xenofobias ou de desrespeitos às diferenças e/ou aos diferentes;
6-
De ideias
radicais ou ortodoxas que migram para a psique dos indivíduos como se fossem
deles, como se fossem verdades absolutas, possuindo-os, dando-os a ilusão de
serem os possuidores delas e/ou de estarem hiperconscientes.
III
Nesse trabalho, sendo assim:
1-
Problematizar-se-ão
as diferentes estruturas clínicas ou
psicopatológicas da personalidade (psicose, neurose e perversão); e, na
mesma via, sob a égide de axiomas da fenomenologia e das filosofias
antropológica e existencial-humanista:
2-
Esboçar-se-ão
visões críticas às ideias tecnicistas e/ou organicistas (homem-máquina) há
tempos pré-concebidas e sistematizadas como parâmetros ditos de normalidade.
O autor
PDF APENAS 19,99 REAIS

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